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Archive for agosto \16\UTC 2009

Boa tarde a todos neste belo e ensolarado domingo,

Hoje quero compartilhar com vocês um texto especial, que fala de acontecimentos que muito me macaram nos últimos meses e encontraram seu ponto alto no último dia 30, data em que completei mais um ano de vida. Então aqui vai, espero que gostem:

Vinte e oito

Completo mais um ano de vida com um sentimento especial, diferente de todos já experimentados em aniversários anteriores. Sentimento motivado, sobretudo, pelos acontecimentos dos últimos nove meses, que modificaram e definiram, de maneira desafiadora e decisiva, muito da pessoa que sou hoje.

Em outubro meu mundo desabou diante de mim, de uma só vez. Nos meses seguintes passei a reconstruí-lo lentamente com as forças que me sobraram. Muitas vezes acreditei que seria capaz, outras vezes nem tanto e em tantas outras desacreditei por completo. Chorei aflito, e revoltado, não achava justo ter sido incumbido de tão árdua tarefa, ainda havia tanto por fazer, minha vida não podia se consumir nisso apenas.

Apesar do sofrimento continuava vivo e não me restava outra alternativa a não ser seguir com meu trabalho, reerguendo bloco a bloco as estruturas ruídas, quer dizer, até restava, mas não, eu não tomaria esse rumo, por mais que flertasse com ele em momentos de fraqueza. Minha tarefa, em parte, era de extrema solidão, mas nunca estive só, sempre houve quem me apoiasse, desse forças e dividisse comigo o peso dos pedaços de concreto esparramados pelo chão. A medida em que meu mundo voltava a tomar forma compreendia melhor os desígnios a mim cabíveis, e reconhecia o quanto eles me faziam mais maduro, mais senhor do que sou.

Foram meses em que lutei pela vida, pelo ar em meus pulmões, em que tive que por em pratica a teoria que pregava, em que vi a força que acreditava possuir se manifestar. Foram meses de constante superação, muita paciência e perseverança. Por fim, entrei em julho me sentindo vitorioso, tantos eram os avanços conquistados desde minha internação. Minha recuperação ainda não estava completa, mas meu mundo já se encontrava de pé novamente. No penúltimo dia do mês mais um ano teria início em minha vida e o que mais queria era festejar e me cercar de pessoas queridas. Queria festejar o fato de estar respirando, de estar vivo, de ter sido capaz de me fortalecer em meio às adversidades, de ter aprendido com cada vivência, de ter evoluído em espírito. Sentia meu coração mais sereno, maduro, iluminado; sentia ter ganhado muito mais do que perdido.

Amigos, amigas, namorada e alguns familiares encheram a casa na noite da festa. Estavam todos muito felizes em me ver bem, contagiávamos de alegria uns aos outros num clima de absoluta fraternidade. Minhas vitórias não eram só minhas, eram de todos, e o desejo de celebrá-las também. Conversamos, sorrimos, declamamos poesias, deixamos a emoção falar mais alto, cantamos. Ficamos a vontade, estávamos em casa, em família. Quando os convidados se foram deitei-me na cama, fechei os olhos e antes de adormecer sorri satisfeito.

Hoje tenho vinte e oito anos e está tudo tão mudado, sinto-me tão diferente, algo me diz que nada mais será o mesmo.

Nota do autor: em outubro de 2008 fui internado no hospital com problemas respiratórios decorrentes de uma pneumonia. Passei por uma traqueostomia e a respirar com auxilio de um aparelho de ventilação. Fiquei impossibilitado de falar e me alimentar por via oral. O fato de ser portador de Distrofia Muscular de Duchenne, deficiência na qual os músculos se enfraquecem com o passar do tempo, tornava meu quadro ainda mais delicado e a recuperação mais difícil. Fiquei um mês internado, e por permanecer todo esse período acamado perdi bastante de meu condicionamento físico. No dia 30 de julho de 2009, dia de meu aniversário, continuava traqueostomizado, mas já respirava com minhas próprias forças, conseguia ficar algumas horas sentado em minha cadeira de rodas e podia falar.


Beijos, abraços e uma ótima semana a todos. Namastê.

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Hoje (09/08) é dia de lembrarmos de uma figura que, de um jeito ou de outro, sempre exerce grande influência sobre quem somos. Essa figura é o nosso pai, que deixa em nós muito de si, mais do que podemos imaginar e muitas vezes gostaríamos. Sim, temos nossa própria identidade, nosso peculiar jeito de ser, mas não há como negar que carregamos o legado transmitido a nós pelos nossos queridos pais. Cada um, no entanto, tem algo diferente a fazer como este legado. Alguns devem simplesmente dar continuidade a ele, outros transformá-lo em vários de seus aspectos, e outros ainda romper completamente com ele e começar algo novo. O fato é que muito em nós teve início em nossos pais, e é importante reconhecer.

Pai e filho compartilham muito mais que o código genético, pai e filho são como espelhos. Eu lhes pergunto: nós nos parecemos com nossos pais ou são nossos pais que se parecem conosco? Será que faz diferença quem veio primeiro ou depois, se tanto o pai como o filho encontram um no outro a si mesmos?

A verdade é que pai e filho se influenciam e se transformam mutuamente, caminhem juntos ou não. Assim são as relações familiares, um reflete no outro, um é extensão do outro, estejam próximos ou distantes, tal é a profundidade da ligação.

Um grande abraço a todos os pais, e um especial ao meu: belo coração, ótimo companheiro! Valeu paizão!

Aquele abraço. Namastê.

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